E se nos decidirmos divorciar?

Quando avançamos para viver em relação desejamos que tudo corra pelo melhor, investimos toda a nossa energia e com amor tudo superamos e entendemos. No entanto temos tendência a esquecer que nem sempre será assim. Haverá dias menos bons, desentendimentos, e inevitavelmente momentos em que só queríamos não ter decidido estar na relação.

No entanto, esta é uma realidade. Haverá “tormentas” que a nossa Nau tem que enfrentar e ultrapassar, e tal só será possível se ambos remarmos no mesmo sentido, sem altivez, sem zanga e com humildade, num esforço que tem que ser a dois.

Mas por vezes esse “remar” deixa de ser possível, os desencontros são muitos, os ressentimentos e as mágoas surgem como obstáculos, e a decisão do divórcio ou separação pode parecer inevitável.

Nesse caso, procurar ajuda profissional pode ser importante e marcar a diferença, sobretudo porque existirá aconselhamento e orientação, porque agora mais que nunca é importante que possam deixar tudo claro e esclarecido, porque agora mais que nunca importa resolverem o que não tem sido possível a bem do vosso futuro e das relações futuras. Além disso conferem se será mesmo isso que querem e desejam.

Prosseguir a vida sem amarguras ou ressentimentos. O que correu menos bem nesta relação não tem que acontecer igual numa próxima, e compreender os processos ajuda a aceita-los e a íntegra-los como episódios da nossa existência.

Alexandra Alvarez, a vossa terapeuta de casal.

A perda de um filho…

Quando se perde um filho pela sua morte há uma inversão na lógica da vida…é um dos momentos que apanha os pais totalmente desprevenidos e sem perceber como é possível.

É uma das perdas mais dolorosas e com mais peso emocional para os pais. Todos temos sonhos para os filhos, para o seu futuro e muito da nossa vida é alavancado na sua presença. Eles são uma continuidade da nossa pessoa.

Os pais que perdem filhos vivem momentos de um luto doloroso que se acredita prolongar-se por toda a vida. E o facto é tão abstrato que ainda hoje não há uma designação especifica para tal perda.

Pais em luto, pais órfãos, pai em sofrimento…

A intensidade deste sofrimento é tanta que os pais correm o risco de levarem muito tempo a retomar a sua vida, e muitas vezes a sua relação termina quase como se não seja possível fazer sentido manterem-se juntos.

As mães, por características das mulheres, choraram mais, desabaram mais, desabafaram mais. Os pais, por características dos homens poderão falar menos, chorar menos, desabafar menos, mas o seu sofrimento é igualmente intenso.

Este silêncio pode ser entendido como incompreensão, conformismo, não apoio à mãe, mas é igualmente uma expressão de dor.

Pai e mãe entram em grande perda pela morte de um filho, a perda de um filho desejado e querido, que interrompe a cadeia regular do ciclo da vida. Os pais precisam de apoio, um apoio que os pacifique, lhes devolva a esperança e os liberte das culpas que nestes momentos ensombram e angustiam.

Será preciso tempo, sem pressão, cuidando e amando, acreditando. Ajudará sempre pensar em como é que o filho gostaria que os pais estivessem? Como se pode honrar a sua memória?

Muitas atitudes podem ser desenvolvidas: encontrar um fórum on line, procurar um terapeuta, integrar um grupo de ajuda, celebrar as datas de aniversário, acender uma vela, criar um álbum de memórias on line, ser referência para outros pais, enfim tudo o que lhe fizer sentido e sobretudo que acredite que faria o seu filho sentir orgulho.

Haverá momentos em que sente que não vai conseguir, que sente que está só, em que tudo vai parecer difícil, mas concentre-se no positivo, a ajuda existe!

Alexandra Alvarez, a vossa terapeuta familiar e de casal.

É para vacinar ou não?

Nos últimos dias muito se tem debatido sobre a vacinação para o SARS COVID 2 para as crianças/jovens dos 12 aos 15 anos de idade, e para o escalão etário seguinte foi aberto um período especifico no fim de semana de 14 e 15 de agosto.

Todos nós temos expectativas sobre as vacinas. sobre a doença e sobre todos os impactos que nossa vida tem tido desde que a pandemia começou.

Como terapeuta familiar tenho-me interrogado como estão as famílias a gerir a questão no que aos menores diz respeito: É para vacinar ou não?

Cada um pode ter uma opinião diferente entre riscos e benefícios da vacinação, e pode acontecer que numa família cada progenitor tenha uma opinião diferente. Como gerir esta diferença?

Há pais que receiam os efeitos posteriores desta vacina, assim como de outras, ou até de tratamentos médicos que possam surgir como necessários, e defendem outras formas de intervenção, mas pode não existir concordância sobre isto. Sem possibilidade de acordo os pais fragilizam a sua posição e deixam de poder decidir porque as opiniões não coincidem, e não existindo acordo entre os pais é colocada a possibilidade de existir recurso a uma decisão pelo Tribunal de Família de Menores.

Neste caso em concreto os pediatras estão divididos, e os Organismos públicos estudam a situação. É normal que possam existir receios, receios esses que se ampliam quando há divergência na atitude a adotar.

É mais um exemplo que apela à importância do consenso e que os assuntos da família preferencialmente possam ser resolvidos pela própria família, através do entendimento e da comunicação.

Afinal, é para vacinar ou não ?

Alexandra Alvarez a vossa terapeuta de casal e familiar.

A garantia de sermos desejados.

Todos nós necessitamos de nos sentir seguros nas nossas relações. Importa sentirmos que somos desejados, amados, confiantes de que as pessoas que nos rodeiam são de facto presentes nas nossas vidas.

Esse testemunho é dado com os atos da vida diária, quando somos acompanhados em momentos de felicidade e quando o somos em momentos difíceis. Afinal que está connosco quando é preciso? Com quem podemos contar?

A garantia de sermos desejados e amados é fundamental para a nossa segurança e para que não existam medos nem receios injustificados.

E como podemos dar essas garantias uns aos outros?

Com a nossa presença e com a expressão do nosso cuidado. E agora eu pergunto: Estão a cuidar da vossa relação? Estão a dar confiança à vossa família de que podem contar convosco?

Convido a fazerem um auto-exame:

  • Na nossa família está instituído o beijo da manhã e o beijo da noite?
  • Ao longo do dia vamos estando em contacto, seja por telefone, mensagens ou até presencialmente?
  • Ao chegar a casa falamos do dia de cada um e de como cada um se sente?
  • Como reage cada um quando discordam?
  • Quem pede desculpas primeiro?
  • Procuramos as pessoas da nossa família para partilhar as nossas dúvidas?
  • Dizemos com frequência o quanto gostamos delas?
  • Agradecemos as pequenas coisas que cada um faz pelo outro para o nosso bem estar? (cozinhar; tarefas domesticas; tratar das roupas; apoiar as crianças; cuidar do familiar acamado; entre outras)
  • Aceitamos criticas sem ficar ofendidos?
  • Referimos com frequência a admiração que sentimos uns pelos outros, elogiando?
  • Fazemos serões juntos regularmente?

Estes são alguns rituais que podem fortalecer as nossa relações. O ritual é algo que fazemos com regularidade e percebemos prazer nisso. Inicialmente é exigente sermos atentos e cuidadosos com tudo, mas com a continuidade verificamos que os benefícios são imensos.

Passa a ser um estilo de nos relacionarmos que transpira amor e cuidado, e não há quem não goste disso. Esse amor e cuidado desenvolve a nossa confiança e faz-nos sentir desejados e amados.

É importante sentirmos que a família é um lugar seguro.

Alexandra Alvarez , a vossa terapeuta familiar.

Casamento feliz…segredo!

Estive recentemente num casamento e é notória a felicidade dos noivos, da família, dos amigos! São todos testemunhas de um dia repleto de felicidade em que se acredita que é para sempre, porque o amor tudo pode, o amor tudo suporta…

Mas também todos sabemos que ao longo da vida em comum surgem dias mais difíceis, em que desacreditamos, momentos em que nos interrogamos se estar com aquela pessoa é o que faz sentido. E é nesses momentos que nos temos que basear no que nos levou a estar na relação, naquela e não noutra.

Porque na realidade:

Não existem relações perfeitas nem 100% felizes, começa logo no facto de nenhum de nós ser perfeito, mas também sabemos que as provações, quando estamos aflitos e angustiados, são momentos que podem fortalecer as relações, são momentos que após superados contribuem para o crescimento da intimidade e da confiança.

Nesse caso, sejamos pacientes e não desacreditemos, pois se os dois estão empenhados em fazer o outro feliz, parte do segredo fica desvendado.

Nas consultas de terapia de casal trabalhamos isso mesmo, viajamos pela vossa conjugalidade, pelos momentos importantes que estão a viver, pelas reações que cada um tem, pelo que degrada a cada um, pelo que cada um precisa do outro.

Alexandra Alvarez, a vossa Terapeuta de Casal.

Ser e Estar…

A importância de sabermos distinguir entre SER e ESTAR.

O SER supõe que faz parte de nós, é o que somos, significa uma característica habitual em nós. O ESTAR supõe temporalidade, é um estado ou condição momentâneo.

É frequente que nos possamos referir a alguém de quem nos queixamos dizendo que a pessoa está isto, ou está aquilo, e que não, nem sempre é assim, depende das circunstâncias:

Foi com o envelhecer,

Foi com o chumbo no exame,

Foi com qualquer coisa….


Como podemos aprender a lidar com esses momentos? Pensar na pessoa com aquilo que ela é pode ajudar, mas não é fácil pois todos conhecemos alguém em que o ESTAR passou a ser o SER.

Importa perceber o que origina a mudança de atitude ou de comportamento. Algumas situações podem ser evitadas, mas tem que ser um esforço de todos e temos que falar sobre isso. O que incomoda quem é porquê, o que se pode evitar, como podemos facilitar.

Mas este SER e ESTAR por vezes confundem-se, torna-se difícil de perceber e aceitar, aborrece porque já sentimos que são mais às vezes que a pessoa está qualquer coisa do que é como a conhecemos…

No final devemos ter presentes que somos o que SOMOS, não o que momentaneamente ESTAMOS, pelo que trabalhar na construção e entendimento é fundamental.

Alexandra Alvarez, a vossa Terapeuta Familiar.

Os avós! Uma presença que faz diferença!

Estes são os nosso avós!

Hoje partilho a mensagem dos avós cá de casa.

Estão manifestas várias emoções e sentimentos: o amor, a alegria, o cuidado, o respeito, o educar, a oportunidade de se fazer diferente porque já existiu a experiência de serem pais e a da vida.

Está ainda presente a preocupação com o futuro, que os netos tenham um bom futuro, que sejam felizes, e o cunho da proteção divina, como se só o amor e cuidados de pais e avós não baste, como se os avós se sintam mais confiantes se souberem que a proteção divina se ocupará das “suas sortes”.

Sensibilizo-me também pela perspetiva temporal. Os meus pais têm 8 netos, só da minha parte são 5, a mais nova de todos tem somente 2 anos, e a mais velha 27 anos. O tempo que passaram com uma será maior do que o tempo que passarão com a outra, pela lei da vida…mas é um constante renovar, e um constante reaprender este amor de avó e de avô.

A nossa família não vive sem estes avós, pedras fundamentais de jovialidade e segurança…são os nossos heróis!

Deixo o meu abraço e carinho a todos os que estão presentes no papel de avós na vida dos seus netos, que os acompanham, protegem, guiam e amam.

Como alguém diz: Pode haver uma vida sem avós? Pode…claro que pode…mas nunca será a mesma coisa!

Alexandra Alvarez I A vossa Terapeuta F.amiliar

Cão que ladra…

“Cão que ladra não morde” é uma expressão popular que significa que alguém que fala muito pouco ou nada faz. Só ameaça. Assim , seria uma pessoa que não passa das palavras aos atos. No entanto também sabemos que tal não é necessariamente assim, porque há sempre a possibilidade de “morder pela calada”.

Rezam as lendas que a expressão originalmente era “Cão calada não morde porque está de boca fechada”. E nesse caso:

Da minha experiência é muito comum que nas famílias possa existir algum elemento que seja o que faz mais as chamadas “ameaças”, parece ter o controle da situação, mas nenhum dos outros segue as suas orientações porque na realidade “ele” nunca passa das palavras aos atos. Fala, fala, mas não é levado a sério.

Em consulta, quando este tema surge, gosto que pensemos sobre o que está por detrás desta falta de autoridade. O que faz com que não seja levado a sério? Ou ainda, o que é que o próprio não faz para que os outros o levem a sério?

Na realidade o “ladrar” está aqui simbolizado como a forma de expressão contra algo que nos desagrada…vão-se dizendo “umas coisas”, vai-se cultivando um ambiente de contrariedade, criam-se anticorpos que nos afastam dos que mais amamos. E eu pergunto: O que faz com que se “ladre” , que é tão ruidoso, e não se seja efetivo, e aí se “morda” o que metaforicamente seria como para demonstrar limites.

Afinal não se pode supor que cão que ladra (não) morde pois o cansaço, ou a falta de abertura para abordar os vários assuntos, pode desgastar as relações e surpreender-nos com atitudes que não suponhamos.

Paralelamente, quando este protesto se torna inconsequente, nada nos garante que de certa vez quem ameaça não acabe por cumprir o que tem vindo a apregoar, e nesse caso seria o “fazer pela calada”.

Penso então que devemos ter em conta as insatisfações que vão sendo verbalizadas a fim de se conseguir um equilíbrio saudável que visa a conciliação e o entendimento entre todos. Lidar com o conflito diariamente traz um desgaste emocional para as relações e enfraquece a intimidade e confiança.

Não esperemos que “o cão morda” e saibamos conquista-lo!

Alexandra Alvarez, a vossa terapeuta familiar.

O Humor nas relações.

O Humor é um ingrediente muito importante nas relações. Umas vezes porque nos descontrai, outras porque se o utilizarmos para dizer as verdades pode ser menos agressivo para quem nos ouve.

O humor é muito importante nos relacionamentos, e na forma de nos comunicarmos com o outro, sobretudo se for um humor com amor.

E aí reside o segredo, pois muitas vezes o humor é utilizado não com o propósito de suavizar algo que queiramos comunicar, mas antes como forma de irritar ou criticar os outros.

Em família ou em casal muitas vezes precisamos de dizer o que sentimos, ou o que achamos importante, mas dizê-lo com um tom sério ou de “reprimenda” não é gentil e até pode ser negativo.

Quem ouve pode sentir-se atacado ou diminuído e isso faz com que se feche ao que estamos a comunicar. Outras vezes, foi mesmo nosso propósito atacar ou rebaixar.

O humor é de facto um ingrediente essencial nas relações, mas é necessário saber utilizá-lo e perceber se o outro tem abertura para rir e acolher a “graça”.

Utilizar o humor é uma habilidade social que para uns é natural, e para outros tem que ser treinada, mas sem dúvida que facilita a interação entre as pessoas, e possibilita a critica de uma forma construtiva, ajuda a superar momentos mais constrangedores e ultrapassa as barreiras que possam existir.

O confronto e a discussão podem ser evitados com o humor. Mas também pode ser um ingrediente negativo se for utilizado com sarcasmo ou ironia, pois podem ofender o outro.

Eu estou a referir-me ao humor que possibilita o riso e o reforço da cumplicidade, o humor que nos deixa leve e nos faz soltar uma gargalhada.

O gargalhar pode ser uma boa forma de falar do que custa a uns dizer e a outros escutar!

Alexandra Alvarez, a vossa terapeuta familiar.

Só “estar” aqui é bom!

Gosto de saber quais os aspetos positivos que as pessoas encontram na vinda às consultas. O que sentem que melhora? O que acontece após estarmos em consulta.

E a simplicidade das respostas é muitas vezes tranquilizadora para mim: Só estar aqui é bom!

Só estar aqui na consulta, é sentido como um ganho. Uns porque não se recordam a ultima vez em que se sentaram juntos para falar de si, outros porque sentem que estão a “trabalhar” para um objetivo comum, e muitas razões mais existem…

Quando penso nessa simplicidade que é muito além daquilo que eu própria enquanto terapeuta possa imaginar, penso em simultâneo em tudo o que as relações vão perdendo com o passar dos tempos. Penso em como deixamos que muito do que aconteceu num passado recente seja isso mesmo: passado. Penso em como é difícil manter entusiasmos, “chamas”, programas, intimidade e afetos ativos a tempo inteiro se não nos focarmos nisso.

Qualquer desatenção, resulta em menos investimento, e menos investimento é menos qualidade de relação.

Então sim, quando nos reencontramos, nem que seja no espaço de uma consulta, só estar “aqui” é bom. Só estar, um só que de só tem muito pouco pelo que representa na reconstrução de uma relação.

Estar na consulta significa conciliar agendas, dar tempo para a família ser melhor, significa querer cuidar, significa empenho, empatia pelo sofrimento maior de uns, é querer dar de nós. Estar na consulta é disponibilidade, significa que nos organizamos para um ESTAR que significa SER.

A família sente esperança e sente ganhos nas partilhas que encorajam este trilho conjunto.

Alexandra Alvarez, a vossa terapeuta familiar.

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