O namorado da nossa filha …

cropped-mc3a3e_galobom Recebi este pedido: casal de meia idade com duas filhas adultas de 23 e 20 anos respetivamente. O pedido era relativo à filha mais velha por esta ter um namoro que os restantes não consideravam saudável mas cuja filha não se apercebia. Os sinais exteriores de ansiedade que a filha apresentava deixava os pais e irmã preocupados, bem como a alteração na sua forma de agir.

A Ilda começa por explicar que o motivo da consulta se relaciona com o facto da sua filha Elisabete, de 23 anos, ter um namorado há cerca de 7 meses que eles, pais e irmã mais nova, não sentem que seja uma companhia confortável para a filha, o que gera desconforto para todos lá em casa.

– Elisabete, o que quer a mãe dizer com o seu namorado não ser uma companhia confortável? – pergunto eu.

– Dra. é porque eu às vezes comento com a minha mãe que fico nervosa quando vou sair com o João, nessas alturas fico desconfortável, sei que ele pode ficar aborrecido com qualquer coisa…até com a roupa que eu levar vestida…e isso deixa-me no tal desconforto…

– Américo, como pai já reparou em alguma situação?

–  Efetivamente já. Houve um dia que a Beta percebeu que tinha dificuldade em estar pronta às horas que marcou encontrar-se com o namorado, acho que tinham estado sempre em contacto, as horas estavam muito controladas, mas como ele teve um compromisso e só voltariam a falar à hora do encontro, a minha filha não o pode informar que teve um imprevisto…enfim, quando se apercebeu disso até me pediu para eu ir pôr combustível no carro dela, enquanto se arranjava, para que não se atrasasse…acho que receava a incompreensão dele …

– Ana, a sua irmã é sempre assim com as horas?

– Acha Dra.? De forma nenhuma…isso só acontece quando se vai encontrar com o João porque se ela se atrasar … aliás ela não se pode atrasar ou tem que lhe fazer um relatório pormenorizado a justificar onde e porque se atrasou e a Beta não é nada assim, habitualmente é muito descontraída…

– Elisabete é assim, como os seus familiares descrevem?

– Sim Dra. é, habitualmente eu não sou assim mas com o João não sei porque é que é diferente, foi assim desde sempre, o João sempre gostou de saber os passos que dou, acompanha-me imenso ao longo do dia, mima-me- está sempre a ligar, eu vou estando acompanhada por ele, até lhe envio fotos…fotos dos sítios por onde passo, de com que estou…ele diz que quer participar dos meus dias…

– E esse partilhar do dia como é sentido por si?

– Dra. desculpe interromper, eu já dei com a minha filha a chorar na casa de banho por sentir que não tem espaço…

(A Elisabete continua)

– Eu compreendo que ele gosta de mim e quero corresponder, mas às vezes é difícil porque se estou com outras pessoas quase não consigo falar com elas, ou dividir-me e acompanhar o que está a acontecer…mas…acho que habituei mal o João!

_MG_2234_pp– Acha que tem culpas? E ser difícil é o quê?

– Sim acho. E é difícil porque fico nervosa e ansiosa porque quero responder às mensagens do João e não consigo conviver com os outros…as minhas amigas já nem ligam e estão sempre a meter-se comigo…tipo…com a Beta logo falamos quando ela não estiver ocupada…e fico mal por isso.

– E os pais e mana o que lhe dizem?

– Que não percebem porque reajo de forma diferente ao que sou com eles e preocupo-os, às vezes sentem que eu estou a fazer um grande esforço para corresponder aos pedidos do meu namorado… eu própria digo que tenho que falar com ele e depois não consigo…

Estou farta de dizer à minha irmã que quem gosta de verdade tem respeito e esse rapaz não a respeita. Nós temos amigos comuns e todos percebem que a Beta nunca está na verdade connosco, se não está com ele está agarrada ao telemóvel e já nem tem a noção…

(Percebi claramente a apreensão da família da Elisabete, as condições que o namorado criou são favoráveis a que a mesma se sinta protegida, cuidada e amada, e ainda a considerar que se existe algum excesso foi causado por si e não pelo próprio. Vamos continuar as nossas sessões percebendo como a sua atitude muda significativamente quando está e quando não está na presença do namorado, e como sentem os outros e a própria as implicações dessa mudança. A família suspeita que a Elisabete esteja numa situação de violência no namoro)

 

Alexandra Alvarez I Terapeuta Familiar e de Casal I 911 846 427

 

Publicado por Terapia Familiar e de Casal - Alexandra Alvarez

Olá, sou Alexandra Alvarez, mãe de 5 filhos, terapeuta familiar e de casal, formadora e supervisora. Faço consultas com famílias e casais para "fazer acontecer" relações positivas! Uma nova oportunidade, para que todos sejam ouvidos e para que todos possam ouvir, numa perspetiva de entendimento e reforço de competências. " Family trainer " (inspiração no personal trainer), num modelo aproximado de coaching familiar, parental e de casal! Com paixão!

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