Temos necessidade de relacionamentos responsáveis *

cropped-logo_final.jpg“Ele manda mensagem todos os dias às mesmas horas, quando a mensagem não acontece eu fico ansiosa…já faz parte do meu dia! Diz que se preocupa comigo, que eu sou muito importante para ele, e eu digo-lhe o mesmo, já nem sei como seria se não nos contactássemos. Falamos muito do que sentimos um pelo outro nesta relação. Acho que se o conhecesse pessoalmente talvez nem me agradasse ter uma relação com ele, mas assim, está muito bem, “estamos” diariamente…” ( Mariana I  34 anos) 

 

Atualmente muitos relacionamentos acontecem e subsistem nas redes sociais. Criam-se rotinas de contacto com alguém que se vai conhecendo aos poucos naquilo que se deixa conhecer e a noção “real” de que existe uma relação torna-se reconfortante para quem está a participar neste “jogo amoroso”. São feitas insinuações sobre o agradável que é participar nesta troca e os galanteios e amabilidades depressa passam a uma espécie de namoro, com alguém que está lá, sempre, mas que não se vê e não se conhece.
Após horas que foram passadas a trocar mensagens, pensamentos, músicas e ideais, há os que se arriscam a um conhecimento pessoal, fora das redes e já na sociedade. E aqui, este encontro pode ser o inicio do desencontro. Muitas das vezes os envolvidos, ou pelo menos um deles não pretendiam uma implicação amorosa, um cuidar na versão tradicional de quem cuida, afinal verificam que não estão disponíveis para ninguém de carne e osso nas suas vidas e, não raras vezes, ausentam-se sem explicações.
O outro, que continua no registo habitual vai continuando a procurar aquele que habitualmente estava disponível para si, mas esse “deixou de estar on line”, e instala-se nesse outro uma melancolia, uma mau estar emocional, porque não pode entender a ausência que não lhe foi explicada, e assim fica refém…
Quem decidiu desaparecer tem receio de ficar sozinho e por isso protela a informação ao outro de que não quer manter os contactos, e a relação mantém-se indefinida, afinal sempre é bom estar em relação. Não existe, mas também ninguém lhe põe um termo. Um por uma razão e o outro por outra. Enquanto não se tem a certeza, e afinal era agradável, sim, deixa-se que continue até que se tenha uma ideia mais clara…
As expectativas e a confiança ficam abaladas, e pelo menos uma das pessoas começa a viver uma incerteza crescente. Constantemente com o telemóvel na mão, ou com os olhos pregados no ecrã à espera que a mensagem chegue, e, não chegando, consome-se a arranjar justificativos possivelmente válidos mas talvez não realistas.
A saúde emocional de cada um fica comprometida, pois a incerteza é demolidora.
É urgente trazer de volta a responsabilidade aos relacionamentos. A clareza do que se pretende deve ser perguntada e deve ser respondida. Os relacionamentos devem ser responsáveis pois do outro lado estão pessoas, pessoas reais que merecem respeito!
capa_agende consulta
Alguma vez sentiu que está a ficar preso numa relação “virtual”?
Como lida com os silêncios? O que julga que o futuro lhe reserva e reserva a esta relação?
Gostava muito que pudesse partilhar a sua experiência!
Alexandra Alvarez I Terapeuta Familiar, Parental e Conjugal I Contacto: 911 846 427

 

 

Publicado por Terapia Familiar e de Casal - Alexandra Alvarez

Olá, sou Alexandra Alvarez, mãe de 5 filhos, terapeuta familiar e de casal, formadora e supervisora. Faço consultas com famílias e casais para "fazer acontecer" relações positivas! Uma nova oportunidade, para que todos sejam ouvidos e para que todos possam ouvir, numa perspetiva de entendimento e reforço de competências. " Family trainer " (inspiração no personal trainer), num modelo aproximado de coaching familiar, parental e de casal! Com paixão!

One thought on “Temos necessidade de relacionamentos responsáveis *

  1. Olá Boa Noite, Alexandra

    Nunca me senti preso a uma relação virtual. Pelo contrário sou uma pessoa que gosta de falar olhos nos olhos e conhecer pessoas pessoalmente. Mas consigo verificar que muitas pessoas nas redes socias aderem a essas relações. Sinto cada vez mais as pessoas sós e procuram nessa solidão alguém que as possa de uma certa forma fazer com que elas existam ou sejam vistas. Que recebam carinho , atenção e que de uma certa forma passe a existir a tal relação virtual que pode ser boa , mas também trazer muitos problemas. Quer depressivos, quer sentimentos de posse, ciúmes que provocam situação muito complicadas e que muitas vezes são alimentadas por pessoas que aproveitam a fragilidade dessas pessoas para lhes darem falsas esperanças. Temo infelizmente que muitas dessas relações virtuais não acabam bem. No entanto gostava de salientar a sua intervenção e a preoucupação nesta matéria e desejar que seja um sucesso. É bom alguém se lembrar dos outros de uma forma mais real e mais pessoal.

    Miguel Gonçalves

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